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Laurence Para Sempre - Crítica de Imprensa
Laurence Para Sempre - Crítica de Imprensa

[...] LAURENCE PARA SEMPRE em nada rompe com o que Dolan já nos mostrou. Barroco nas formas, ocasionalmente histriónico nos diálogos e com alma de grande teledisco, o filme acompanha retalhos da vida de um professor que vive um dia a dia arrumado. Trabalho, uma relação estável... Mas que desde sempre sentiu que nascera com o corpo errado. O processo de transição, a forma como a mulher com que vive, a família e colegas reagem evoluem entre saltos no tempo, porém sob uma condução narrativa que partilha um permanente diálogo com uma demanda de sons e imagens que faz afinal do filme um corpo que se afirma essencialmente como uma experiência estética (o que não significa, note-se, um abafar do tema, antes juntando esse texto ao contexto, um diluindo-se no outro).

Se a personalidade compósita que é expressão natural de uma linguagem em formação na era da informação – onde tantos dados circulam e podem ser assimilados – tem aqui a sua mais evidente expressão de um “eu” ainda em construção, as citações continuam a morar sem receio no cinema de Xavier Dolan. Das folhas que caem do céu como no “Written In the Wind” de Douglas Sirk ao desfile de rostos e poses como na versão do teledisco de “Fade To Grey” dos Visage que está disponível no DVD antológico da banda, LAURENCE PARA SEMPRE herda elementos de uma genética que, afinal, é o DNA que constrói este olhar. Junta-se ainda a música de uns Fever Ray, Depeche Mode, Tindersticks, Kim Carnes, Beethoven ou Duran Duran (dando maior visibilidade que nunca ao brilhante “The Chauffeur”, a canção do álbum Rio que nunca foi single – e devia ter sido), somam-se olhares que por vezes abandonam a medula da narrativa para observar gentes e lugares ao seu redor e uma espantosa composição do protagonista por Melvil Poupaud, e encontramos em LAURENCE PARA SEMPRE uma das melhores surpresas deste ano. É que, depois do passo em falso de “Amores Imaginários”, a ambição evidente deste projeto poderia ter acabado num verdadeiro tropeção. Pelo contrário, e mais que nunca, mostra porque em Xavier Dolan podemos encontrar uma das vozes mais interessantes da sua geração.
Nuno Galopim , SOUND + VISION 

Laurence Para Sempre - Crítica de Imprensa Internacional
Laurence Para Sempre - Crítica de Imprensa Internacional

No cinema falsamente superficial de Dolan há um duplo impulso: um estilo ruidoso e uma distância irónica (...) que formam uma vizinhança discordante e sempre em ruptura. Os seus filmes lembram uma boca com lábios pintados de vermelho, de onde jorram cruéis verdades sobre o amor, os sentimentos e a dificuldade de viver.
Jean - Philippe Tessé , CAHIERS DU CINÉMA


O filme que daqui resulta é um monstro desconcertante. De um lado, a fúria barroca (...). Do outro, um bom e velho melodrama familiar que está à altura do cânone: primado do romanesco, exposição límpida do conflito, respeito pelo fio narrativo, diálogos apurados, cenas de coragem patéticas.
Jacques Mandelbaum, LE MONDE


Com LAURENCE PARA SEMPRE, o jovem realizador do Québec Xavier Dolan arrisca-se a surpreender aqueles que viram os seus dois primeiros filmes (“J’ai Tué Ma Mère” e “Amores Imaginários”). LAURENCE PARA SEMPRE é, para nós, o seu melhor.
[...] O seu gosto por cores vivas dá à mais pequena cena uma estilização procurada e
desejável: a do glamour hollywoodiano. Os seus excessos de juventude e a sua megalomania encontram aqui um sentido, na sua obstinação de querer, a qualquer preço, reunir dois seres humanos que não podem ser unidos. [...] No fundo, Dolan regressa a um certo cinema, o de um período um pouco incerto na Hollywood do início dos anos 70, presa entre o fim do classicismo e o início da modernidade (...). Ele restitui a este género um pouco menor uma certa juventude e novidade.
Jean - Baptiste  Morain , LES  INROCKUPTIBLES